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PRIMEIRO EMPREGO

Quem ganha mais?

Estudar compensa: cada ano de formação traz 15,7% a mais de salário. O ranking das trinta especializações que remuneram melhor


Gloss

27/02/2009 18:46

Texto
Regina Terraz

Foto: Getty Images
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Profissões como medicina e engenharia são as mais procuradas justamente por terem os melhores salários

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Seguir uma carreira que lhe dê prazer e para a qual você tenha habilidade: eis a super-receita de sucesso na escolha profissional - dizem, em uníssono, os orientadores vocacionais. Mas, como na vida real as coisas nem sempre seguem o caminho dos cenários ideais, a remuneração acaba tendo um peso beeeem grande na escolha da profissão. Por causa desse tradicional conflito entre o que a gente gostaria de fazer versus o quanto a gente gostaria de ganhar, o economista Marcelo Neri, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, elaborou o estudo Você no Mercado de Trabalho. Trata-se de um megacruzamento de dados que permite conhecer as estimativas salariais médias de várias carreiras - e ainda descobrir que probabilidade você tem de conseguir um emprego na área que escolheu - ou para a qual pretende se transferir.

Entre os destaques do estudo está o ranking das profissões mais bem-remuneradas do Brasil. Como a média é nacional, na maioria dos casos os valores estão bem abaixo dos salários praticados em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. "O ranking inclui dos rincões às metrópoles", explica Neri. Ainda assim, o tabelão pode ser bem útil. Isso porque, mesmo com valores que às vezes podem parecer muito modestos para centros urbanos com economia mais aquecida, a ordem segue uma lógica nacional. Juízes e desembargadores, por exemplo, aparecem no topo da lista. Recebem, em média, R$ 13.956 mensais. Os diretores gerais de empresas ocupam a segunda posição, com salários de R$ 7.371,40. Médicos figuram no terceiro lugar, com remuneração de R$ 7.029 (confira as trinta profissões que ganham mais na tabela da página seguinte).

O levantamento foi feito com números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de 2008. E mostra também que investir em educação compensa. Cada ano de estudo representa um acréscimo de 15,7% no salário mensal. "Na comparação entre pessoas do mesmo sexo, idade, raça e geografia, o salário dos universitários é quase seis vezes maior que o dos analfabetos", diz o economista.

A chance de conseguir vaga no mercado de trabalho também cresce com os anos de formação. Segundo a pesquisa, alguém com 18 anos de estudo ou mais - aqueles com pós-graduação - tem 90,73% de chance de estar empregado hoje. Para os que têm só graduação, é de 83,58%. Outro exemplo: uma médica de 25 anos que trabalhe mais de oito horas por dia e esteja há mais de cinco anos no serviço público em São Paulo ganha em média R$ 2 438 por mês - se tiver só a graduação. Mas uma mulher do mesmo perfil que tenha cursado pós-graduação ganha salário médio maior, de R$ 3 715. O estudo confirma, em números, o que os caça-talentos já sabiam: quem tem mestrado ou pós-graduação sai na frente do candidato que fez só graduação.

Não à toa, os vestibulandos ainda apostam em carreiras como medicina, direito, administração e engenharia - que ainda são as que pagam os maiores salários. Medicina teve o maior número de inscritos no Vestibular da Universidade de São Paulo neste ano (13.379 inscrições). Outros 12.343 candidatos pretendem cursar engenharia na Escola Politécnica (engenharia civil, elétrica, química, mecânica e da computação). Direito foi a terceira opção mais procurada, com 10.519 inscritos.

FUTURO RELATIVO

Segundo dados do governo americano, as profissões mais promissoras (com maior número de vagas e melhores salários) são ligadas à tecnologia da informação, saúde e medicina para a terceira idade, turismo e geração de energia.

"A remuneração é sempre um fator a ser considerado na escolha da carreira, mas não pode ser o principal", alerta Sílvio Bock, diretor da Nace Orientação Vocacional. Decidir só com base no retorno financeiro é um risco. "Carreiras que estão bombando hoje podem perder força daqui a cinco anos."

Um exemplo: o ramo da engenharia civil. No ano passado, faltavam engenheiros para trabalhar no Brasil, graças aos investimentos em obras de infraestrutura. "Com a crise financeira global, esse panorama irá mudar. E pode ser que daqui a cinco anos esteja tudo diferente novamente."


Quem ganha mais?

1. Juízes e desembargadores: 13 956 reais
2. Diretores gerais: 7 371,40 reais
3. Médicos: 7 029,00 reais
4. Empresários: 4 268,00 reais
5. Engenheiros eletroeletrônicos: 4 266,70 reais
6. Engenheiros civis: 4 229,50 reais
7. Outros engenheiros: 3 736,20 reais
8. Profissionais em pesquisa e análise econômica: 3 662,10 reais
9. Engenheiros mecânicos: 3 551,70 reais
10. Diretores de áreas de apoio: 3 497,40 reais
11. Técnicos e fiscais de tributação e arrecadação: 3 461,00 reais
12. Professores do ensino superior: 3 372,70 reais
13. Agrônomos: 3 277,00 reais
14. Engenheiros químicos: 3 248,60 reais
15. Analistas de sistemas: 3 182,30 reais
16. Cirurgiões-dentistas: 3 131,30 reais
17. Arquitetos: 3 108,90 reais
18. Advogados: 3 009,10 reais
19. Contadores e auditores: 2 998,20 reais
20. Administradores: 2 949,00 reais
21. Profissionais do jornalismo: 2 741,90 reais
22. Serventuários da justiça: 2 693,90 reais
23. Veterinários: 2 577,10 reais
24. Diretores de áreas de produção e operações: 2 443,10 reais
25. Dirigentes das áreas de apoio da administração pública: 2 440,00 reais
26. Gerentes de áreas de apoio: 2 399,30 reais
27. Legisladores: 2 380,70 reais
28. Profissionais de recursos humanos: 2 301,60 reais
29. Enfermeiros de nível superior: 2 253,80 reais
30. Gerentes de produção e operações: 2 240,00 reais


Pesquisa Você no Mercado de Trabalho, http://www.fgv.br/cps/iv

Neste link você pode inserir seus dados e saber quais as chances de estar empregado ou qual o salário médio pago na ocupação escolhida.

Site do Ministério do Trabalho dos EUA, http://stats.bls.gov/oco/home.htm

Na opção "Tomorrow’s Jobs" há um estudo sobre as profissões que vão bombar no futuro.

 


 

 
 

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