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O futuro chegou

A modernidade não está apenas nas novidades tecnológicas e nos computadores de última geração, mas em algo bem mais simples e acessível: a integração do projeto arquitetônico com o ambiente, como mostram estas "escolas verdes"


Nova-Escola

01/11/2008 16:34

Texto
Paula Pacheco e Rodrigo Ratier

Foto: Maisa Prado
aluno

Aluno da EM Prof. Veneza Guimarães de Oliveira participando do projeto de recuperação da área degradada do cerrado, em Mina do Areião

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Quem caminha pela Fundação de Educação Profissional do Vale do Rio Caí, em Feliz, a 80 quilômetros de Porto Alegre, logo vê que as instalações da escola não são nada comuns. Os corredores ficam ao redor do prédio, com luz e ventilação naturais, que chegam às classes através de grandes janelas. As paredes de arenito, granito e tijolo cerâmico dispensam revestimento e contribuem para o isolamento térmico. A água da chuva, coletada por calhas, segue para uma cisterna, onde é filtrada por areia e brita para abastecer as torneiras e irrigar as hortas. Ao redor da construção, a vegetação nativa (exuberante e intocada) emoldura um cenário estimulante ao aprendizado e à consciência ambiental.

Tudo isso é resultado de um projeto arquitetônico ecológico, realizado em parceria por 20 municípios, 33 empresas, três universidades e centenas de profissionais voluntários da região. As obras começaram em 2006, e as aulas, em julho deste ano. Quando estiver em total funcionamento, a Fundação terá 2 mil alunos, distribuídos em cursos técnicos, como operações administrativas, biotecnologia, informática e cerâmica. “Dividiremos a história do vale do Caí em antes e depois da implantação da escola: seremos uma indústria sem chaminés", projeta a coordenadora da instituição, Maria da Glória Barcarollo Gauer. “Nosso objetivo é promover a agricultura e a prestação de serviços, muito fortes na região, partindo de uma nova postura, mais responsável, ética e sustentável em todos os sentidos."

Ser ecologicamente sustentável significa se desenvolver sem desrespeitar o planeta. Mas a equipe da escola técnica quer ir além, investindo num projeto pedagógico que também priorize a responsabilidade social (integração com a comunidade), cultural (resgate histórico da região) e econômica (busca de condições financeiras para a própria instituição e a população do entorno). “É comum pensar que a natureza está em elementos como solo, água e ar. Mas nós, humanos, somos parte dela", diz Maria da Glória. “Temos de educar para que as pessoas se transformem e mudem sua relação com o ambiente."

Por isso, desde a escolha do local, cada etapa da construção foi projetada com esse objetivo. Antes da aquisição do terreno e do começo das obras, a área era utilizada na produção agrícola e não tinha grandes árvores. “O que se faz, em geral, é derrubar tudo para, depois, replantar", afirma a professora. “Apenas uma das árvores foi retirada. Procuramos usar o espaço com menos necessidade de corte."

Antes do início das aulas, a Fundação recebeu a visita de uma equipe de técnicos da capital gaúcha, que confirmou a teoria dos líderes do projeto: a escola deve, de fato, se tornar um ponto irradiador em termos de arquitetura e ensino sustentáveis. “Aos poucos, a postura da comunidade em relação à natureza vai mudar", acredita Maria da Glória. “Em nossas reuniões, queremos que todos saiam pensando que não é preciso implantar grandes ações para operar mudanças, mas pequenas atitudes que, juntas, se amplificam."

 


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