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Educar para crescer

SISTEMA DE ENSINO

De mãos dadas por uma Educação melhor

Associar-se a empresas e ONGs é uma boa alternativa para melhorar as condições de aprendizagem. Interessados não faltam, mas é preciso saber construir essa relação sem colocar em risco a autonomia da escola


Nova-Escola

01/08/2008 16:30

Texto
Maria Olyntho

Foto: Marcos Rosa
Rosangela Macedo Moura, diretora

Rosangela Macedo Moura, diretora da Escola Estadual Francisco Brasiliense Fusco

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Avaliação por desempenho, planejamento estratégico, balanço mensal e gestão participativa. Esses são termos que romperam as fronteiras dos departamentos de recursos humanos das empresas para fazer parte do cotidiano de muitos colégios públicos que hoje colhem os frutos de parcerias bem-sucedidas firmadas com o terceiro setor e a iniciativa privada. No entanto, por trás de uma bom pacto, sempre está um diretor que sabe o que quer para sua escola, consegue ter em mãos todos os dados de desempenho e os índices escolares organizados e, mais do que isso, conduz negociações sem colocar em xeque a autonomia da instituição no desenvolvimento de seus projetos pedagógicos.

Os cinco diretores de escolas públicas ouvidos nesta reportagem foram unânimes ao atribuir a essas características o sucesso das parcerias que firmaram em diferentes realidades. E especialistas em gestão escolar advertem: não dá mais para fechar os olhos para tais possibilidades - que passam longe daquele tipo de oferta de patrocínio de festa junina em troca da divulgação do nome da empresa. Hoje há muitas parcerias com resultados concretos, como a melhoria do desempenho nas avaliações nacionais, a redução da evasão e o aumento nos índices de aprovação.

A EE Anita Gayoso, que atende 304 alunos de Ensino Fundamental em Teresina, é um exemplo de como o apoio da iniciativa privada, desde o fim de 2006, ajudou a aumentar de 2,9 para 3,7 o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). "Não corremos atrás de um parceiro. Fomos procurados via Secretaria de Educação para receber apoio de fora e, desde então, a equipe pedagógica tem decidido em conjunto tudo o que é feito no âmbito escolar", afirma a diretora, Suzana Maria Cavalcante Loiola.

Até o ano passado, Suzana lecionava da 1ª a 4ª série e pôde sentir os impactos da parceria ainda como professora. "Por meio do projeto Qualiescola, discutimos o que era preciso melhorar e passamos a receber capacitação em Língua Portuguesa e Matemática. Semanalmente, tínhamos oficinas que nos permitiam trabalhar de fato com os problemas enfrentados em sala de aula. "Após iniciarem a formação, os professores passaram a dar ênfase à melhoria do desempenho de cada aluno, o que incluiu a oferta de programas de reforço e o contato assíduo com os pais. Além disso, o acordo também possibilitou melhorias no espaço físico. "Construímos um refeitório, que não tínhamos, e fizemos uma reforma na parte da frente, coisa que queríamos havia muitos anos", lembra Suzana.

O Qualiescola é um programa desenvolvido pelo Instituto Qualidade de Ensino (IQE) que consiste na capacitação presencial e a distância de gestores e professores de escolas públicas de Ensino Fundamental com foco na melhoria da aprendizagem das crianças. As parcerias sempre são firmadas pela Secretaria de Educação e as escolas não têm nenhum compromisso - a não ser o de melhorar o desempenho nas avaliações nacionais. "Acreditamos no conceito de formação em serviço. Todo o conteúdo que trabalhamos é alinhado aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs)", afirma o presidente-executivo do IQE, Horácio Almendra. Financiado por um grupo de 20 empresários, o instituto atua hoje em 78 escolas no Piauí sem fazer o repasse direto de dinheiro para os diretores. "Não damos receita de bolo, mas auxiliamos a fazer os diagnósticos e a pensar como transmitir as habilidades. Sempre garantindo a autonomia da equipe pedagógica", conclui.

 


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