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O empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann figura entre os 200 maiores milionários do planeta, segundo a revista Forbes, de 2008. Tem uma fortuna avaliada em 5,8 bilhões de dólares. É um investidor nato: fundou bancos, criou empresas, comprou ações de grupo. Na adolescência foi um promissor tenista na Suíça. Chegou a disputar uma Copa Davis e pisar no gramado de Wimbledon, no Reino Unido. O esporte, hoje, é um passatempo. O foco do empresário nos negócios, não. Assim como a sua persistência na melhoria da Educação no país.
Lemann sempre patrocinou pessoas e programas de bolsas, mas em 2002 decidiu criar uma Fundação que leva o sobrenome da família para continuar a tarefa só que de maneira mais centrada e organizada. A diretora-executiva da fundação, Ilona Becskeházy, conta que quando a fundação iniciou as atividades ela recebeu a missão visitar fundações e universidades nos Estados Unidos para criar um plano de ação. “Estamos detalhando e implementando aos poucos”, diz.
Conheça a seguir os projetos desenvolvidos pela Fundação Lemann.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. O que a Fundação Lemann faz?
- Investe em projetos de gestão escolar para a melhoria da qualidade do ensino público. O curso Gestão para o Sucesso Escolar (GSE) é o carro-chefe. Em encontros presenciais e à distância, diretores de escola discutem possibilidades para localizar as dificuldades cotidianas das escolas e superá-las. O curso dura um ano e tem o objetivo de consolidar a cultura da gestão escolar por resultados e transmitir aos diretores a noção de que o aluno deve ser o
foco central de toda ação. Passei a utilizar na reunião do conselho de classe um roteiro sugerido pela Fundação. O resultado foi ótimo, diz Marli Campos Almeida, diretora da Escola estadual Prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, em Campinas (SP). O material contém perguntas sobre cada um dos alunos, além dos avanços e os objetivos traçados para cada série. Os professores gostaram muito, pois agora é possível visualizar as metas não atingidas, provocando uma reflexão sobre o que precisa ser trabalhado em cada aluno. Antes, a gente só se restringia às notas dos alunos. Isso não refletia o contexto da aprendizagem, diz a diretora-executiva Ilona Becskeházy.
A fundação também investe diretamente em escolas com o programa Parceiros Vitae de Apoio ao Ensino Técnico e Agrotécnico. Tem como objetivo estimular iniciativas de modernização curricular e tecnológica de escolas técnicas e agrotécnicas de ensino médio. A Escola Técnica Federal de Sertão, no Rio Grande do Sul, por exemplo, recebeu apoio para montar uma estufa de batata.
A fundação também concede bolsas para universitários brasileiros que conseguem uma vaga em universidades nos EUA. Trata-se da Lemann Fellowships. A fundação também abriga sob seu guarda-chuva outros projetos de concessão de bolsas. A Fundação Estudar, por exemplo, dá bolsas para os melhores alunos em graduação ou MBA em instituições de ensino superior no Brasil e no exterior. Em 17 anos de existência, mais de 400 alunos foram beneficiados. Já o programa Daqui para Fora investe em tenistas brasileiros que desejam estudar em universidades americanas desde 2001. Em 2009, foi ampliado para as modalidades de golfe e vôlei.
A fundação ainda investe em seminários e palestras que discutem soluções para o desenvolvimento da Educação no Brasil e em cursos de gestão e valorização do magistério.
- 2. Qual o orçamento da fundação para 2009?
- Em torno de 3 milhões de dólares. Cada programa tem um orçamento diferente. Os recursos vêm da família Lemann e de parceiros.
- 3. Como a Fundação Lemann define suas áreas de atuação?
- A diretora-executiva Ilona Becskeházy explica que cada projeto tem um planejamento diferente. "Os projetos de melhoria de qualidade da Educação liderados pela fundação, como o GSE, demoram mais a serem desenhados dos que já estão prontos e só precisam de um financiamento adicional, como o Daquiprafora", diz ela. Depois de planejado, os projetos são apresentados para o conselho da fundação, desenvolvidos e implementados. "Nós temos bastante agilidade entre ter uma ideia e ela se materializar, mas isto só é possível graças a uma característica pela qual nosso presidente, Jorge Paulo Lemann, é muito conhecido: o apoio a atitudes empreendedoras", diz Ilona.
- 4. Como a Fundação Lemann avalia o impacto dos projetos?
- As conquistas das equipes do GSE, por exemplo, promovem mudanças de comportamento, segundo a diretora-executiva. "É muito gratificante ver em avaliações que os alunos das escolas que passaram pelo GSE avançam mais rápido que as que não passaram", diz. Uma avaliação foi aplicada nas escolas da primeira edição do GSE três anos depois do fim do curso, que constatou a continuação do efeito positivo.
- 5. Quais os resultados?
- Em 2008, cerca de 140 mil profissionais ligados à educação fizeram o GSE. Ilona destaca que a fundação foi procurada por três secretários de Educação, que assumiram em 2009, que contaram que o GSE os ajudou a evoluir mais rápido na carreira profissional. "Não temos como medir nosso efeito na escolha deles para assumir o cargo, mas acho possível que eles tenham se sentido mais seguros depois do curso", diz a diretora-executiva. Entre os investimentos realizados, 21 escolas se beneficiaram com recursos técnicos e materiais e dez alunos receberam a bolsa da Lemann Fellowships para estudar na Universidade de Harvard no biênio 2008/2009.
- 6. Como a Fundação Lemann acompanha os projetos?
- Com visitas, conversas e ferramentas de gerenciamento de projetos. "Procuramos registrar tudo em atas, e-mails e planilhas. Dá um trabalho danado, mas na hora de replicar ou reeditar é muito mais fácil", diz a diretora-executiva Ilona Becskeházy.
- 7. Por quê uma empresa deve investir na Educação no país?
- Ilona cita cinco razões para uma empresa investir no ensino do país. São elas:
1) Para diminuir as desigualdades sociais e permitir um padrão de vida decente para toda a população e para seu mercado consumidor;
2) Para não ver os talentos de seu país indo para centros de excelência em outros países;
3) Para poder contar com representantes no governo que realmente zelem pelo interesse da sociedade;
4) Para seus acionistas e colaboradores não sentirem vergonha quando lerem jornal;
5) Para poder deixar os filhos dos acionistas e colaboradores da empresa brincarem na rua e ir à escola a pé e sozinhos.
Ela ainda completa. "As empresas até podem investir em educação, mas são as pessoas que têm poder e recursos para investir individualmente, cobrar do governo serviços de qualidade e educar seus filhos com altas expectativas para poder deixar para eles um país melhor que o que encontraram".
- 8. O que a Fundação Lemann aprendeu nesses anos todos?
- Ilona resume em três lições o aprendizado adquirido nesses sete anos de atividade:
1) "Infelizmente, não é o direito de aprender dos alunos e os interesses da Nação que pautam a maior parte das políticas públicas de educação no Brasil";
2) "Dá para melhorar a educação brasileira em pouco tempo, se houver empenho político e pragmatismo, mas coisas como a estabilidade incondicional dos professores da rede pública e a resistência em abrir a sala da aula para avaliação dos professores ainda são tabus difíceis de quebrar";
3) "os melhores parceiros para operar projetos de Educação sem fins lucrativos têm sido empresas de Educação da iniciativa privada e não do terceiro setor".