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ENEM

Embarque no estudo

No trajeto de trem que realizava diariamente, Rafaela da Silva Menezes, de 18 anos, conseguiu estudar o suficiente para conquistar o 1º lugar no ENEM


Sou-mais-eu

11/12/2008 19:32

Texto
Katia Kazedani

Foto: Reginaldo Teixeira
Foto: 'Sem tempo, passei a estudar no trem e os resultados vieram com a organização'

'Sem tempo, passei a estudar no trem e os resultados vieram com a organização'

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Para realizar todo o percurso entre a escola, o estágio e a sua casa, a estudante Rafaela da Silva Menezes passava mais ou menos quatro horas no transporte público. Na maior parte desse tempo, ela estava no trem que liga a cidade de Paracambi, onde vive, à região metropolitana do Rio de Janeiro, onde freqüentava o curso técnico de Química. Sem se importar com o barulho e aproveitando que geralmente conseguia um lugar para sentar, ela estudou com afinco e conseguiu obter o melhor o desempenho no Enem deste ano, dentre os alunos de instituições públicas.

Apesar de não parecer, o Exame Nacional do Ensino Médio é uma avaliação individual do desempenho dos alunos, não coletiva. Isso porque cada um escolhe se realiza o teste ou não - e quase nunca todos os alunos de uma escola ou um estado optam por participar do ranking. Por essa razão, a conquista de Rafaela é uma ótima surpresa: apesar de todas as dificuldades que enfrentou, ela alcançou um resultado excelente para uma secundarista. Veja a seguir o depoimento da campeã:

“Tive uma surpresa quando saiu o resultado do Enem. Jamais imaginei que seria a primeira colocada entre os alunos da rede pública e a quinta na classificação geral do Brasil. A gente estuda para conseguir bons resultados, mas não pensa que vai estar entre os melhores. Ainda mais quando se estuda dentro do trem...

Quando concluí o ensino fundamental, prestei uma prova para fazer curso técnico. Passei no de Química em Nilópolis, na região metropolitana do Rio. Apesar da distância - moro em Paracambi -, não poderia deixar essa oportunidade passar.
Minha vida mudou totalmente: antes, eu gastava meia hora para chegar ao colégio e estudava só em um período. Já no técnico, gastava duas horas no trajeto de casa até o curso, e as aulas duravam o dia todo. Como o curso era focado em Química, eu sentia falta de ter mais disciplinas, como História e Português. Por isso, me matriculei em um cursinho preparatório para o vestibular. Duas vezes por semana, eu freqüentava as aulas dessas matérias. Chegava em casa quase à meia-noite.

Neste ano, tive de largar o cursinho. Precisei fazer estágio para conseguir o diploma de técnico, o que me ocupa o dia todo. As aulas passaram para a noite. Com o pouco tempo que tinha, eu aproveitava todas as pequenas oportunidades, como estudar no trem.
Para fazer esse percurso (casa/estágio/aulas/casa), eu gastava cerca de quatro horas. Minha sorte é que quase sempre o trem estava vazio e eu conseguia sentar. Mantinha a concentração, mesmo com o barulho. Esses momentos e a atenção nas aulas foram fundamentais para um bom resultado.

Os próximos desafios são os vestibulares. Vou prestar Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Biomedicina na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sempre contei com o apoio da minha família e do meu namorado. Meu pai estudou até o 4o ano do ensino fundamental e, hoje, é encarregado de testes de dutos em uma empresa que presta serviços para a Petrobras. Ele sempre falou para mim e para o meu irmão que era importante estudar para podermos ter um futuro melhor. Já a minha mãe é professora e sempre cobrou bons resultados de nós.

Nunca faltou nada em casa. Sempre tivemos oportunidade de estudar línguas, mas, para isso, meus pais deixaram de viajar, trocar de carro e sair nos fins de semana.

Para conseguir bons resultados, não é preciso abrir mão daquilo que dá prazer. Eu estudava durante a semana e tirava os fins de semana para cuidar de mim, ir ao cabeleireiro e sair com o namorado e os amigos.

Sempre tive uma vida normal. Para isso, basta se organizar e se concentrar no tempo que você reservar aos estudos.” 


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