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Enem: objetivo de segunda colocada era ingressar na faculdade de Medicina

Aos 23 anos e com a faculdade de Ciências Biológicas concluída, Daniella Rantin não economizou esforços para realizar o sonho de ser médica e o resultado no Enem é prova disso


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08/05/2009 11:22

Texto
Marina Azaredo

Foto:
Foto: Daniella Rantin, 2ª colocada do Enem

Daniella atribui o resultado ao fato de ter sido aluna aplicada

Daniella Rantin destoa um pouco da maioria dos estudantes que prestam o Enem. Aos 23 anos, ela já tem uma graduação concluída: é formada em Ciências Biológicas pela UFSCar. Mas seu grande sonho sempre foi fazer Medicina. Já com o diploma da primeira faculdade em mãos, ela foi atrás do sonho. Estudou muito, teve o segundo melhor desempenho no Enem 2008 - ela tirou 98,415, nota idêntica à de Renato Lopes, que também ficou em segundo lugar - e hoje é aluna da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Natural de São Carlos (SP), onde fez o Ensino Médio no Colégio Sapiens, Daniella atualmente passa a semana em Ribeirão Preto para estudar. Ela atribui o excelente resultado no Enem ao fato de sempre ter sido uma aluna muito estudiosa. "Procurava conciliar atividades prazerosas com o estudo, priorizando o estudo, que sempre considerei uma obrigação e necessidade para minha vida futura", afirma. Na entrevista a seguir, Daniella conta um pouco mais da sua vida de estudante e explica por que a família a escola foram fundamentais para o seu bom desempenho no Enem.

Os campeões do Enem:

1º lugar: Caio Mancini
2º lugar: Renato Lopes
2º lugar: Daniella Rantin
3º lugar: Samuel Carvalho
3º lugar: Leonardo Lage

Saiba tudo sobre o Enem

Para ler, clique nos itens abaixo:
Você se considera uma aluna estudiosa?
Daniella Rantin: Sim. Durante toda minha vida escolar, sempre fui uma aluna muito dedicada, passando grande parte de meu tempo estudando. Durante o colegial, estudava quase todos os dias. Já fiz uma graduação e acho que na faculdade aprendemos a estudar melhor, com mais qualidade. Hoje estou passando por minha segunda graduação e continuo a estudar bastante.
Como era a sua rotina de estudos durante a escola?
Daniella Rantin: Desde pequena, sempre me dediquei bastante. Gostava muito de estudar e me esforçava bastante para ter bom desempenho escolar. Procurava conciliar atividades prazerosas com o estudo, priorizando o último, pois sempre considerei uma obrigação e necessidade para minha vida futura. Durante o colegial, estudava quase todos os dias, buscando acompanhar as disciplinas. No terceiro colegial, véspera de vestibular, não precisei alterar tanto minha rotina. Estudei um pouco mais e realizei alguns cursos auxiliares, obtendo bons resultados.
Como a escola em que você estudou te ajudou a ser uma das primeiras do Enem?
Daniella Rantin: Eu acredito que todas as escolas por onde passei tiveram participação nesse processo. O Enem, ao contrário dos vestibulares, não mede sua capacidade de acumular informações, mas sim raciocínio, conhecimentos gerais, capacidade de fazer associações, nível de leitura, enfim, uma série de habilidades que você constrói ao longo de sua vida, não apenas escolar, logicamente. As escolas auxiliam na medida em que nos estimulam a ler, a buscar informações, a encontrar prazer em ler um bom livro, um poema difícil ou uma revista informativa. As escolas por onde passei, desde o pré, sempre valorizaram a leitura, estimulando-nos de diversas maneiras. Acredito que esse estímulo tenha feito toda a diferença, pois acho que a grande maioria das alunos dedicados é composta de leitores assíduos.
Como a sua família ajudou?
Daniella Rantin: Meu pai é professor universitário e sempre valorizou o conhecimento. Minha mãe desde sempre estimulou-nos a leitura, de maneira leve e respeitando meus limites. Lembro-me de ganhar, ainda pequena, muitos livros coloridos, que me fascinavam. Assim, desde muito cedo, meu gosto pela leitura foi estimulado e cresceu em mim com muita força. Tenho muita convicção de que meu maior diferencial para me destacar no Enem e em todas as outras provas por que passei foi o fato de ser uma ótima leitora. Além disso, meus pais sempre me estimularam bastante a estudar e foram um modelo a ser seguido.
E os professores? Há algum em especial que tenha contribuído para esse resultado?
Daniella Rantin: Vários professores contribuíram para meu gosto pelos estudos. Lembro-me, no entanto, de duas situações especiais em minha vida que acredito tenham sido fundamentais na minha formação como aluna e pessoa. A primeira foi durante o pré. Nessa época, na escola em que eu estudava, a professora levava-nos a uma livraria próxima e tínhamos a chamada "hora da leitura". A dona da livraria lia histórias que me pareciam incríveis e me encantavam muito. Aquele era o melhor momento da escola! Ajudou a fazer com que meu carinho pelos livros criasse raízes fortes em meu coração, desde muito cedo. Outro momento, já bem mais tarde, foi no colegial. O professor Cacaio, de História do Brasil, dava aulas com tal paixão pelo assunto que tornava os textos mais monótonos em aulas super interessantes, engraçadas e surpreendentes. O tempo passava com muita rapidez e era, para mim, a aula mais aguardada da semana! Acho que a paixão que ele tinha por aquilo que lecionava tornava o assunto agradável e leve até para quem não gostava da matéria. Aprendi que quase todas as coisas podem ter algo interessante. Basta que você olhe por outro ângulo para que a graça delas apareça e se estabeleça. Acho que essa lição, na maior parte das vezes, nos é ensinada por professores que gostem, realmente, do que fazem.
Como é a sua relação com os livros? Você lê muito?
Daniella Rantin: Sou completamente apaixonada por livros! Leio desde pequena e não consigo entender quando ouço alguém dizer que não gosta de ler! A leitura encanta, engrandece, traz cores e luzes ao dia a dia de quem dedica-se a ela. Ler bem e ler sempre são essenciais para que as pessoas reflitam, comuniquem-se, divirtam-se, enfim, vivam melhor. Eu sinto muitíssimo em não conseguir ler tanto agora, pois a faculdade exige muito e passo grande parte do tempo que dedicaria à leitura estudando e fazendo trabalhos. Mas, ainda assim, tento ler algo diferente dos livros da faculdade sempre que posso. Dois livros em especial mexeram muito comigo: Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Eles são meus autores preferidos.
O que você costuma fazer no seu tempo livre?
Daniella Rantin: Além da leitura, gosto muito de festas e música. Sempre que posso, procuro sair com amigos para relaxar, dançar e dar risada. Acho que diversão faz parte da vida! Adoro dar risada com pessoas queridas e acho mesmo que não existem muitas coisas mais agradáveis do que isso. Além disso, gosto de ficar em família, curtindo meus pais e irmãos, e também adoro assistir filmes em casa ou no cinema.
Por que você decidiu fazer o Enem, que não é um exame obrigatório?
Daniella Rantin: O Enem ajuda na pontuação final de muitas universidades públicas. Como estava prestando vestibular, resolvi fazer para ter essa ajuda.
Quais são os seus planos para o futuro?
Daniella Rantin: Quero formar-me médica e ser uma excelente profissional, muito humana e dedicada. Batalhei bastante para conseguir entrar na faculdade de medicina dos meus sonhos e vou continuar estudando muito e me dedicando à minha eterna formação, tanto pessoal quanto profissional. Ainda não sei qual área da medicina pretendo seguir, mas independente disso, darei o melhor de mim, sempre.
Qual a sua dica de sucesso para quem vai fazer o Enem 2009?
Daniella Rantin: Bom, acho que seria ler bastante, uma vez que o Enem costuma cobrar conhecimentos gerais e também interpretação de texto e gráficos. Além disso, calma e tranquilidade para ler as questões e entender o que se pede.
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