Do boletim das escolas particulares campeãs, retira-se uma lição: para ensinar bem não é preciso lançar mão de idéias mirabolantes. Provas regulares, em muitos casos semanais, e a exigência de que o aluno estude ao menos duas horas sozinho em casa são medidas simples que funcionam. Aulas extras e plantões de dúvidas fazem com que ele se esforce mais. Chama atenção a valorização dos professores. No colégio Móbile, seu salário médio é de 9 400 reais. No Santa Cruz, os professores dispõem de um plano de previdência para aposentadoria integral.
Cerca de 115 000 estudantes se submeteram à primeira prova do Enem, em 1998, sem a divulgação dos resultados de cada escola. No ano passado, foram 2,7 milhões. A participação, voluntária, disparou à medida que universidades passaram a integrar a nota dos alunos em seus processos seletivos. Foi o caso da USP, em 2000, e das faculdades conveniadas ao Programa Universidade para Todos, o ProUni, em 2004. "Conheço muita gente que passou na USP porque à nota se somou 1 ponto ou 2 ganhos do Enem", conta o estudante Eduardo Zuker, do Colégio Rio Branco. Na semana passada, o garoto se reuniu com a mãe, Beatriz, e a diretora do colégio, Esther Carvalho, para uma conversa sobre o desempenho do Rio Branco no Enem. "Estranhei não o ver entre os melhores", diz Beatriz. No ranking de 2007, ele está na 47ª posição. "Apesar de o índice de acerto ter subido para 70%, muitos alunos não fizeram a redação, que é optativa, e aí caímos no ranking geral", explicou a diretora. Cobranças como essa entraram para a rotina das escolas. A aluna Vivian Cyrne, de 17 anos, prometeu ao pai uma explicação convincente da classificação do Dante Alighieri em 36º na tabela. "Meu pai acompanha de perto meus estudos", diz. "Ele exige nota 7, mesmo que a média da escola seja 5."
Há quem use o Enem para mudar de colégio. O estudante Diogo Figueiredo Ferraz, de 15 anos, escolheu o Vértice após ler notícias sobre sua primeira colocação no Enem. "Visitei cinco das dez melhores escolas para saber qual combinava mais com meu perfil", lembra. Diogo conta que se sente desafiado a progredir. Perde, no entanto, três horas nos deslocamentos entre sua casa, em Santana, e o Campo Belo, onde fica a escola campeã. Além disso, a mensalidade é 700 reais mais cara que a do antigo colégio. "Vou recuperar o investimento na universidade gratuita", afirma ele, que sonha ser promotor de Justiça.
Veja as dez melhores: Vértice, Bandeirantes, Móbile, Santa Cruz, Agostiniano Mendel, Etapa, Palmares, Cefet-SP, Albert Sabin, Etesp


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