No domingo, 9 de novembro, às 13h, será realizada a 5ª edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). A prova que substituiu o Provão faz parte do Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) e será respondida obrigatoriamente por cerca de 564 mil alunos de 2367 instituições de Ensino Superior. Eles foram escolhidos por um sistema de amostragem – no ano que vem, o Inep, autarquia do MEC que realiza a prova, tem a intenção de estender a avaliação para todos os alunos. Alvo de muitas polêmicas, o Enade obriga os ingressantes e os concluintes dos cursos a comparecerem ao exame, sob pena de não conseguirem colar grau. Entenda como a avaliação funciona e conheça os argumentos de quem é a favor e contra a sua aplicação.
1- Como é o Enade?
O Enade é composto por 40 questões discursivas e de múltipla escolha mais um questionário socioeconômico. São 10 perguntas de conhecimentos gerais (cultura, política, artes, atualidades, etc) e 30 de conhecimento específico. A mesma prova é aplicada para ingressantes e concluintes, como forma de medir a evolução do conhecimento no decorrer do curso. O conteúdo das provas é definido pelo Ministério da Educação (MEC) e por representantes das entidades de cada área. O aluno terá 4 horas para realizar o exame. Recomenda-se chegar com 1 hora de antecedência para localizar a sala, assinar a lista de presença e cumprir outras formalidades
2- Que cursos são avaliados?
Em 2008, serão avaliados os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Biologia, Ciências Sociais, Computação, Engenharia, Filosofia, Física, Geografia, História, Letras, Matemática, Pedagogia e Química e os Cursos Superiores de Tecnologia em Construção de Edifícios, Alimentos, Automação Industrial, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Fabricação Mecânica, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental. A cada ano, são avaliadas áreas diferentes, e a periodicidade do teste para cada área é de, no máximo, três anos.
3- Quem é obrigado a fazer a prova?
Os 564 mil estudantes que foram convocados. Mas os estudantes inscritos que não foram selecionados pelo sistema de amostragem, também poderão fazer o exame (como voluntários), embora não sejam obrigados. Neste ano, 1022 fazem parte desse grupo. Ingressantes são alunos do primeiro ano que, até 1º de agosto de 2008, tenham concluído ente 7% e 22% da carga horária mínima do curso. Concluintes são alunos do último ano que, até 1º de agosto de 2008, tenham concluído 80% da carga horária mínima do curso ou que estejam em vias de concluí-lo
4- Quem está dispensado?
Os alunos inscritos não selecionados e os voluntários que não comparecerem na prova. Ficam dispensados também os estudantes que colarem grau até o dia 31 de agosto de 2008 e aqueles que estiverem oficialmente matriculados e cursando atividades curriculares fora do Brasil, na data de realização do ENADE 2008, em instituição conveniada com a IES de origem do estudante.
5- Como consulto o local do exame?
Pelo site do INEP: http://enade.inep.gov.br/enadeConsulta/home.seam
6- Que documentos levar?
Qualquer documento com foto. Pode ser RG, passaporte, carteira de motorista.
7- Serei prejudicado se tirar uma nota baixa?
Não. O objetivo final do exame é avaliar a instituição, não o desempenho individual. A nota não constará no histórico escolar nem em sites ou listas. Apenas o estudante poderá visualizar esse resultado.
8- Há bolsas para os alunos com notas altas?
Sim. O primeiro de cada área recebe bolsa integral da Capes para cursar uma pós-graduação.
9- Estou matriculado em dois cursos de graduação e fui convocado para duas avaliações. O que fazer?
Escolha uma das provas. Depois, envie uma correspondência ao Inep informando quais cursos de quais instituições que freqüentou e mande também os respectivos Cartões de Informação do Estudante, recebidos por todos os convocados. O Inep remeterá uma Declaração de Presença a ser apresentada à coordenação de curso do qual o estudante não prestou o Exame, para servir de amparo legal para regularizar o histórico escolar.
10- Fui convocado e não fiz a prova. Como regularizar a situação junto ao Enade?
O estudante ingressante poderá regularizar sua situação quando fizer a prova como concluinte, três anos depois. Já o concluinte deve enviar uma justificativa de ausência ao Inep. Uma comissão de dispensa julga o caso e defere ou não o pedido. Se a justificativa não for enviada ou não for aceita, o aluno pode realizar a prova da sua área 3 anos depois – antes disso, não poderá colar grau.
11- Tranquei o curso. Devo participar da avaliação?
Se há interesse de continuar no curso, é aconselhável realizar o exame, já que o Enade é um componente curricular obrigatório e a participação – não a nota – deve constar no histórico escolar. Se o aluno não pretende concluir o curso, não será prejudicado ao faltar no dia da prova.
12- Como e quando poderei acessar minhas notas?
O acesso ao Boletim de Desempenho do Estudante será liberado após a divulgação oficial dos resultados do Enade 2008, estimada para seis meses após a realização do Exame. Estará disponível no site http://www.inep.gov.br.
POR QUE SOU A FAVOR DO ENADE
“O Enade é importante como um indicador de qualidade dos cursos universitários. Dos estudantes de ensino superior, 74% estão matriculados em instituições privadas. Essa participação massiva se deu em quantidade, não em qualidade. Por isso que essa avaliação – uma ferramenta lícita de fácil compreensão pela sociedade – é tão importante”, diz Hugo Eduardo Meza Pinto, professor de economia do Centro Universitário Positivo e coordenador pedagógico das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba. Apesar de concordar com a aplicação do exame, o professor não isenta o Enade de críticas: “A prova é a mesma para faculdades inseridas em realidades muito distintas. É um erro utilizar o mesmo instrumento para avaliar uma instituição localizada em uma cidade grande como São Paulo e outra que fica no interior de Sergipe, por exemplo.”
“O Enade é uma espécie de termômetro das faculdades. Além de apontar problemas, identifica cursos que devem ser reformulados ou até extintos. É também uma maneira de pressionar as instituições a melhorar os cursos e a formar profissionais mais bem preparados”, diz o professor de biologia da Universidade Federal de Santa Catarina Paulo Ramalho Junior.
POR QUE SOU CONTRA O ENADE
“Há uma distorção da avaliação porque o objetivo final das faculdades é o bom desempenho no exame, que não mostra se uma faculdade é boa ou não. A chancela do MEC serve então como um atestado falso de qualidade. É uma relação de barganha. O governo é condescendente com as instituições privadas para aumentar a taxa de acesso da população a cursos superiores. E a faculdade, ao aderir ao sistema único de avaliação, fere a sua autonomia”, diz Roberto da Silva, professor da Faculdade de Educação da USP e um dos membros da comissão avaliadora do Sinaes.
“O Enade tem um grau de arbitrariedade muito grande pois não permite medir com precisão a qualidade da formação do aluno. Além disso, há instituições particulares notadamente ruins que utilizam o resultado da prova para fazer propaganda enganosa. Elas dizem que têm um dos melhores resultados no Enade, mas não falam dos cursinhos de preparação para a prova nem das faculdades que não prestaram o exame”, diz a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Ângela Soligo.
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