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Acostumados ao movimento do embarque e desembarque de mercadorias, os funcionários do supermercado Compre Bem, em Osasco, cidade da Grande São Paulo, hoje notam outro tipo de movimentação. Onde deveriam entrar homens empurrando carrinhos, entram crianças e adolescentes com instrumentos musicais a tiracolo. São os alunos da escola de música do Instituto Pão de Açúcar e da Orquestra Pão de Açúcar. “Decidimos apostar na música como forma de inclusão social e não apenas educacional porque acreditamos que ela promove uma mudança comportamental na vida do jovem e da família,”, afirma Paulo Pompilio, o diretor de relações corporativas e responsabilidade sócioambiental do Instituto Pão de Açúcar.
A música, segundo Pompilio, inclui os alunos socialmente e dá a eles uma perspectiva de futuro, algo que a maioria não tem. “O projeto abre uma porta para jovens que jamais teriam a oportunidade de conhecer esse universo musical e dá a eles a chance de projetar um futuro”, acrescenta Daniel Misiuk, maestro da orquestra em São Paulo. Entre todos os projetos sociais do Instituto Pão de Açúcar, o de música é o que tem sido mantido há mais tempo: em 2009 ele completa dez anos. Cerca de 61 mil crianças já passaram pelos programas educacionais do instituto desde sua criação, em 1999.
Este ano, o Instituto Pão de Açúcar se prepara para lançar um novo projeto, voltado ao ensino profissionalizante. Esses cursos técnicos capacitarão jovens do ensino médio para o trabalho. Hoje, as empresas sofrem com a carência de mão de obra qualificada nesse setor. “O Grupo Pão de Açúcar sofre com essa carência. É um nicho que precisa de atenção, investimento e que podemos atuar”, diz o diretor.
Conheça a seguir os projetos desenvolvidos pelo Instituto Pão de Açúcar.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. O que o Instituto Pão de Açúcar faz pela Educação?
- A principal ação voltada para a Educação do Instituto Pão de Açúcar é a escola de música e a orquestra. Juntos, elas atendem 600 crianças e adolescentes entre 10 e 21 anos. Os estudantes frequentam a escola por dois anos e podem, então, fazer um teste para tentar uma vaga na orquestra. Qualquer criança ou adolescente com até 21 anos pode se inscrever para participar da escola. "Abrimos as vagas a cada semestre e todas são preenchidas, mas não fazemos propaganda porque somos pequenos", diz Paulo Pompilio, diretor de relações corporativas e responsabilidade sócio-ambiental do Instituto Pão de Açúcar.
As escolas de música e as orquestras estão instaladas em cinco localidades: Osasco e Santos (SP), Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ) e em Brasília (DF). Cada uma delas toca um estilo musical, que vai da MPB aos clássicos. Além do projeto musical, Pompilio adianta que o Instituto está finalizando a criação de cursos técnicos profissionalizantes voltados para alunos do ensino médio. "A idéia de investir na Educação profissionalizante surgiu porque existe uma grande carência de mão de obra jovem no País. O Grupo Pão de Açúcar sofre com essa carência. Não há mão de obra especializada, por exemplo, para açougue, padaria. Então, vimos que é um nicho que precisa de atenção e investimento e que podemos atuar", diz o diretor.
"A idéia de investir em cursos técnicos surgiu porque existe uma grande carência de mão de obra qualificada entre os jovens no país. O Grupo Pão de Açúcar sofre com essa carência. É um nicho que precisa de atenção, investimento e que podemos atuar", diz o diretor.
- 2. Quais os resultados dos projetos?
- A experiência tem mostrado que o cotidiano escolar da maioria das crianças do projeto acaba afetado pelas aulas musicais, segundo Pompílio. "Não é possível mensurar essa relação, mas sabemos que as notas melhoram, assim como o comportamento e o comprometimento dos alunos com a matemática, o português", diz o diretor. Gabriel Nunes de Oliveira, de 16 anos, um dos alunos da Orquestra Pão de Açúcar, engrossa o coro. "De tanto ouvir o maestro dizer que, para tocar, tem de estudar muito, passei a entender que o mesmo acontece na escola. Passei a dedicar mais horas em casa aos estudos e as notas melhoraram. Foi muito bom", diz ele, que é o spalla da orquestra. O garoto mora na Cidade Dutra, extremo sul da cidade de São Paulo. Viaja 2 horas de transporte público até Osasco, duas vezes na semana, para estar na orquestra. Já sabe qual a profissão que seguirá no futuro: músico. De preferência, em alguma orquestra no exterior. "Se não conseguir algo fora, quero fazer parte da Osesp", diz Gabriel, que conheceu e se apaixonou pela música clássica e pelo violino assistindo a Família Lima na TV.
- 3. Como o Instituto Pão de Açúcar avalia o impacto dos projetos?
- Não há uma metodologia elaborada com rigor cientifico, mas o impacto é sentido pela continuidade do projeto e pela a história dos integrantes da Orquestra. "Temos três alunos estudando música nos EUA, um que está na Escola da Osesp e vários fazendo faculdade de música aqui em São Paulo. Eles poderiam seguir alguma carreira se não estivessem no projeto? Alguns sim, mas a maioria não", diz Paulo Pompílio. A professora e diretora artística da Orquestra Pão de Açúcar, de São Paulo Renata Jaffé, acredita que 70% dos ingressantes completa o curso.
- 4. Quanto é investido no projeto musical?
- Estão previstos mais de 1,5 milhão de reais, para 2009.
- 5. Como foi a escolha dos locais para instalar o projeto?
- São locais onde o Grupo Pão de Açúcar tem presença forte.
- 6. O que aprenderam depois de 10 anos?
- O principal ensinamento foi o de que não é possível ficar focado apenas na música. É preciso ampliar o olhar sobre o cotidiano das crianças. O instituto envia às escolas onde os jovens estudam uma ficha sobre o desempenho deles. Mas ninguém sai da orquestra por repetir o ano. Caso isso ocorra, há um olhar mais cuidadoso com essa criança. Em 10 anos, nenhuma crinça abandonou a escola. Outro aprendizado é o de, além da inclusão social, o projeto trabalha a construção do indivíduo. "As crianças aprendem a trabalhar em equipe, a ter disciplina na aula e fora dela para estudar e nas apresentações para o público", diz Renata Jaffé, professora e diretora artística da Orquestra Pão de Açúcar.
- 7. Como transformar a ação num bem para a marca?
- "Todas as ações do instituto transmitem seus valores. Percebemos que nossos clientes e fornecedores se identificam com elas porque compartilham desses mesmos valores. Não fazemos nada que estejam ligadas ao que nós acreditamos. Essa honestidade com o trabalho socioambiental é que se transforma num bem para o grupo", diz o diretor Paulo Pompílio.
- 8. Como separar as ações sociais das comerciais?
- O longo tempo de atuação em trabalhos socioambientais é o que mostra ao público que a ação social de uma empresa é genuína e não oportunista, segundo o diretor Paulo Pompilio. "As nossas ações são 100% separadas das comerciais, por mais que elas aconteçam dentro de um Pão de Açúcar, caso de algumas apresentações da orquestra".