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Em parceria com o Serviço Nacional da Indústria (SENAI), o Grupo Votorantim investiu mais de 5 milhões de reais na construção de uma escola no interior de São Paulo, onde tem uma unidade de alumínio. Essa experiência mostrou que o investimento em Educação poderia trazer dividendos para a comunidade e para a empresa. “Investir em Educação é olhar para o futuro, inclusive da empresa, porque ela vai consumir uma mão-de-obra mais qualificada daqui alguns anos”, diz Tatiana Motta, coordenadora de projetos do Instituto Votorantim, criado em 2002. “O Instituto surgiu num momento de mudança de gestão da empresa”, diz Ana Helena Vicentin de Moraes, vice-presidente do órgão. Até então, as ações sociais eram realizadas por departamentos diversos, sendo que 80% delas era voltada a doações pontuais em momentos de urgência, como doação de material, segundo Ana Helena. “Houve uma mudança no olhar dos gestores, pois eles tiveram de entender que era importante ter um projeto planejado com começo, meio e fim, que precisávamos evoluir da filantropia para um plano de ação contínua”, diz Ana Helena.
Conheça a seguir os projetos desenvolvidos pelo Instituto Votorantim.
Para ler, clique nos itens abaixo:
- 1. O que o instituto Votorantim faz pela Educação?
- O instituto investe em iniciativas de fortalecimento de políticas públicas, como o projeto Parceria Votorantim pela Educação, que prevê ações de mobilização de líderes sociais entre os funcionários da empresa. O projeto pretende criar uma rede de pessoas que atuem pela Educação dos municípios participantes. Os funcionários iniciaram trabalhos de capacitação para que agentes locais (mães de alunos, comerciantes e quem quer que seja) entendam o ensino no país e possam acompanhar a gestão da Educação em seus municípios. "A ideia é ter o funcionário como agente-chave dessa ação, uma pessoa que dê início (elabore, implemente e acompanhe) a um plano de mobilização local pela Educação", diz Lárcio Bennedetti, gerente de desenvolvimento sociocultural do Instituto Votorantim. Na primeira etapa, 24 municípios receberam o trabalho de mobilização e mais 64 municípios tem programas de sensibilização da comunidade para a importância da Educação. Cartilhas sobre a importância da participação familiar na escola foram distribuídas para todos os 60 mil funcionários da empresa. Outros materiais impressos, como o Manual de Mobilização para agentes locais, e a realização do Prêmio Jornalista Parceiro da Educação, que vai premiar jornalistas das cidades participantes, estão previstos.
Como o principal vetor do projeto Parceria é o funcionário da Votorantim, a adesão entre os gestores não foi imediata. Motivo: os participantes teriam que faltar ao trabalho para comparecer às atividades de mobilização, como encontros com a comunidade e secretário de Educação. "Alguns chefes não queriam liberar o funcionário apesar deste se mostrar interessado em participar do programa. Tivemos de sensibilizar os mais resistentes, esclarecendo que a empresa tem de colaborar pela melhoria da Educação no país", lembra Tatiana Motta, coordenadora de programas sociais. Os projetos piloto, porém, mostraram que a mobilização poderia ter boa aceitação da comunidade. "A receptividade da nossa ação foi muito boa na secretaria municipal de Educação. A maior demanda deles era por comunicação entre as pessoas e também por conhecer as ferramentas públicas da Educação, como o PAR (Plano de Ações Articuladas), do Ministério da Educação", diz o ecólogo Reges Echer, funcionário da unidade de Capão de Leão, município vizinho de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Echer foi responsável pelo projeto piloto do Parceria em Arroio Grande, cidade a 100 quilômetros de Capão de Leão. A iniciativa ocorreu em 2008 e deu tão certo que continua em 2009.
O Parceria é o carro-chefe das ações sociais em Educação do instituto esse ano. "O projeto é uma ferramenta de relacionamento com o município. É vital para existência da empresa do município, afinal os alunos da escola públicos têm pais como funcionários da empresa", diz Tatiana Motta, coordenadora de projetos do Instituto. As experiências serão compartilhadas no blog www.blogeducacao.org.br.
O Instituto Votorantim também financia projetos de terceiros que desenvolvem programas de reforço escolar, aceleração da aprendizagem, combate à evasão, entre outros.
- 2. Como o instituto avalia o impacto dos projetos?
- Por meio de relatórios e de relatos dos funcionários. O Parceria, por exemplo, foi colocado em prática em dois municípios como piloto, em 2008. O retorno, segundo o gerente Lárcio Benedetti, foi positivo. "No município de Nobres, ao norte de Cuiabá, capital do Mato Grosso, o prefeito eleito gostou tanto do trabalho que pediu à comissão de mobilização para indicar um nome para disputar a vaga de novo secretário de Educação do município. Esse retorno nos mostra que a iniciativa dá certo e nos incentiva a continuar o trabalho", diz Benedetti.
- 3. Quanto o instituto gasta anualmente?
- Em 2008, o instituto investiu em cerca de 40 projetos ligados à Educação, que beneficiaram cerca de 400 mil jovens em 273 municípios de todas as regiões do País. Todos têm como meta melhorar o Ideb do município. O gasto total é de 45 milhões de reais. Os recursos vêm de acionistas (60%) e de leis de incentivo (40%). Já o custo do Parceira é relativamente baixo. "São previstos gastos de 450 mil reais em 2009", diz Benedetti, gerente do Instituto Votorantim.
- 4. Como o instituto define onde a Fundação vai atuar?
- Escolhe os lugares onde têm presença mais forte, com a presença de funcionários que atuam como lideranças sociais.
- 6. Como transformar a ação social da Fundação num bem para a marca Votorantim?
- "Qualquer ação social deve ser pensada e planejada para o bem da sociedade e da empresa também. Não é pecado nenhum pensar dessa forma. É uma relação em que todos ganham", diz o gerente de desenvolvimento sociocultural do instituto, Lárcio Benedetti. Segundo ele, as empresas que desejem investir em Educação devem considerar sua ação social como algo estratégico e cristalizar a noção de que, mesmo atuando na área social, é a marca corporativa que está exposta, por isso os projetos devem ser sólidos e de longo prazo. "Com base nessas premissas, toda ação bem conduzida vira um ativo de comunicação da empresa, vira um bem", afirma ele. Se a ação não for conduzida de forma estratégica, torna-se uma ação marqueteira ou assistencialista, sem continuidade. "E como tal, não vira um ativo", conclui Benedetti.
- 7. Como separar as ações sociais das ações comerciais da Votorantim?
- "O importante é pensar o projeto desde o seu início com um olhar empresarial, em que comunidade e empresa ganham, mas que esse benefício deve ser equilibrado. Só assim, dosando esse equilíbrio, é possível separar as ações sociais das comerciais. A unidade de cimento da Votorantim não vai oferecer cimento numa ação social da empresa, mas pode ser acionada para contribuir com um projeto, caso do Parceria pela Educação, em que todas as unidades foram convidadas a localizar um líder social", explica o gerente Lárcio Benedetti.