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PARTICIPAÇÃO

Intel trabalha pelo fim da exclusão digital na escola

Ações da empresa são voltadas para a capacitação de professores para atingir alunos na sala de aula


Educar

18/06/2009 22:30

Texto
Patricia Cerqueira

Foto: Cintia Sanchez
Foto: intel

"O nosso investimento em responsabilidade social nos ajuda a proteger o valor da nossa marca"

Celulares, computadores e redes sociais são velhos conhecidos dos estudantes. Seus professores, entretanto, pouco dominam novas tecnologias. Como reverter esse quadro, fazendo os mestres aproveitarem toda a experiência tecnológica de seus pupilos e assim, tornar o aprendizado mais atraente? A Intel escolheu investir em programas de capacitação dos professores para o uso do computador como ferramenta pedagógica. "Computadores não são mágicos. Os professores são", costuma repetir o presidente da Intel, Craig Barrett. O presidente da Intel no Brasil, Oscar Clarke, engrossa o coro. "A tecnologia ajuda a atrair a atenção o aluno, já que oferece a possibilidade de ir muito além dos livros e das salas de aula, mas devemos investir também e, sobretudo, na capacitação dos professores", explica. Nos programas Intel Educar e Intel Aprender, os professores aprendem a usar a tecnologia de forma mais eficiente em sala de aula, ou seja, dominar editores de texto e outros softwares em classe.

"O grande desafio dos docentes nesse momento é conjugar todas essas tecnologias no ambiente da sala de aula", diz Fábio Tagnin, gerente de Educação da Intel. O Orkut, por exemplo, classificado como um grande inimigo digital, pode transformar-se em ferramenta pedagógica já que permite unir, numa mesma comunidade, alunos e professores. "É preciso conhecimento e flexibilidade para incluir essas ferramentas no cotidiano da sala de aula", diz Tagnin. Para a empresa, o uso efetivo da tecnologia em sala de aula muda a percepção do aluno. "Ele vira um autodidata, fica mais colaborativo, com pensamento mais crítico, e aprende a filtrar a informação, habilidades fundamentais na sociedade da informação do século 21.Trabalhar com tudo isso é muito importante, pois prepara a criança para o mundo", afirma Tagnin.

Conheça melhor a seguir os projetos desenvolvidos pela Intel Educação.

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Para ler, clique nos itens abaixo:
1. O que a Intel faz pela Educação?
Executa programas que têm o objetivo de tirar professores e alunos do mapa da exclusão digital. Os projetos educacionais são elaborados na Fundação Intel, nos EUA, e depois replicados nas localidades onde a empresa está instalada. Os programas originais sofrem adaptações para se enquadrarem à realidade local. No Brasil, por exemplo, os projetos tiveram que se adaptar aos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). As duas principais ações são o Intel Educar (para professores) e o Intel Aprender (para comunidades carentes). Para ampliar seu alcance, a Intel firmou parceria com a Fundação Bradesco, que tem 40 escolas em diversas cidades do país.

O Intel Educar está em ação desde 2001. Já foi implementado em todos os estados brasileiros e treinou mais de 120 mil professores. "Contratamos organizações sociais que nos enviam professores. Eles são capacitados pela Intel e passam a dar as aulas", explica Fábio Tagnin. Nos cursos, os professores têm acesso à apostila e página na Internet com atividades, coaching on line, blogs e fóruns. Em 2008, a Intel firmou uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo para capacitar coordenadores pedagógicos e transformá-los em multiplicadores. O objetivo é atingir 70 mil dos 200 mil professores da rede estadual em dois anos. A participação não é obrigatória. Mas quem se inscreve recebe no final, da secretaria, um certificado que conta pontos na carreira de docente. Já o programa Intel Aprender é desenvolvido desde 2005 e seu objetivo é a inclusão digital de comunidades carentes. As aulas acontecem nos centros de inclusão digitais, ambientes com computadores, internet e banda larga. São mais de cem espalhados pelo país. A Intel forma os multiplicadores durante 40 horas. Recebem da empresa certificados para a Educação não formal. Tornam-se mediadores voluntários.

Em parceria com a Fundação Bradesco, a Intel também esteve por atrás de outra ação, a criação do Computer Clubhouse, em 2001. Esse projeto consistiu na montagem de ilhas com softwares de edição de vídeo e áudio, aplicativos 3D, microscópio conectado ao computador e estúdio de rádio. "Atualmente o Clubhouse caminha com o patrocínio de outra empresa. A Intel já se retirou", explica Rosemary Salvini, gerente de Educação. A empresa também banca, desde 2001, a viagem de alunos do Ensino Médio, do mundo todo, para os EUA a fim de participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia, o Intel ISEF. Entre 2007 e 2008, doou 400 máquinas para duas escolas (uma no Rio de Janeiro e outra no Tocantins), além de rede de fio e banda larga. E, mesmo tendo a Fundação Intel como geradora dos programas, a filial brasileira tem autonomia para criar programas, como o Escola Modelo e o Programa Aluno Técnico, aplicado entre 2004 e 2005.
2. Quanto a empresa gasta?
Mais de 100 milhões de dólares por ano em programas educacionais em diversos países, incluindo o Brasil. Não revela os valores investidos apenas no Brasil sob a alegação de que os projetos têm duração limitada. "Diminui porque projetos começam e terminam e não por corte orçamentário", diz Fábio Tagnin.
3. Como escolhem a comunidade beneficiada?
Por meio de parcerias com organizações sociais, fundações, como a Bradesco, secretarias de ensino municipais e estaduais. A primeira parceria foi feita com o Senai. Também chegam à comunidade por meio dos professores, que fazem o boca a boca dos cursos. "Já chegamos até universidades. A Unesp implementou a metodologia do Intel Educar como disciplina optativa no curso de Licenciatura em Pedagogia", diz Rosemary Salvini.
4. Como a Intel faz a avaliação dos projetos?
Entidades, como a Fundação Carlos Chagas, acompanham os programas Intel Educar e Intel Aprender, indicando o impacto das ações e o que pode ser melhorado. Em uma dessas pesquisas, os resultados mostravam que as crianças dos centros de inclusão digital tinham mais conhecimento e melhor desempenho no uso do computador do que os alunos da Fundação Bradesco que não faziam o curso do Intel Aprender (ambos são parceiros). A fundação, então, incorporou a metodologia do projeto em seu currículo escolar.
5. O que aprenderam desde que iniciaram os projetos?
"Que os desafios são constantes e variados", diz Tagnin. No caso do Brasil, as grandes distâncias territoriais levaram à criação de cursos à distância - a versão original do curso tinha apenas aulas presenciais, com duração total de 40 horas. "Temos de nos adaptar à realidade do país para ampliarmos nosso alcance", diz ele.
6. Como transformar a ação social da empresa num bem para a marca Intel?
"O nosso investimento em responsabilidade social nos ajuda a proteger o valor da nossa marca, mitigando riscos, reduzindo custos e identificando oportunidades de mercado", afirma Tagnin. Ao incorporar a responsabilidade social da estratégia e objetivos, a Intel gerencia de maneira mais clara o impacto que isso tem no mundo. "Na Intel, a responsabilidade social nunca é vista como um produto acabado, sempre mantemos o foco na melhoria contínua de nossas práticas corporativas e sociais. Nossos programas vão desde a busca de melhorias na qualidade da Educação, passando pelo apoio a pesquisas de energias mais limpas, desenvolvimento de tecnologias para a saúde e programas de ajuda humanitária. A marca Intel está ligada intimamente ao que fazemos em nossas fábricas, escritórios e ao impacto que nossos produtos têm na sociedade."
7. Como separar as ações sociais das ações comerciais da empresa?
Segundo Tagnin, a separação entre as duas ações é clara. A Intel tem programas exclusivamente filantrópicos, apoiados por sua fundação, como o fomento a pesquisas, investimento em materiais educacionais e formação de professores e alunos no uso de tecnologia na Educação. Além disso, tem programas internos de busca de eficiência, com ética, transparência e redução de impacto ecológico. "Por fim, temos ações comerciais em que sempre deixamos claros para nossos interlocutores os objetivos e recursos investidos", diz Tagnin.
8. Quais as razões da Intel para investir em Educação?
"Como a Intel precisa de mão-de-obra especializada, investe muito em pesquisa e desenvolvimento, em programas universitários, bolsas de estudo, em pós-graduação, justamente para fomentar a mão-de-obra, que ela absorve. O investimento na Educação básica vai também nessa linha. Crianças e adolescentes estarão melhores preparados para entrar no ensino superior se tiverem tido uma boa Educação básica. O professor é o meio entre as duas pontas. O aluno passa a incorporar habilidades diferentes, se o professor o orienta bem. Ou seja, investir na Educação melhora a qualidade do trabalho do docente. Investir em Educação digital promove ainda inclusão social, aumenta a responsabilidade social corporativa e melhora o ambiente entre os funcionários", diz Fábio.

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