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Quando a Fundação Lemann nasceu, sabíamos que a educação no Brasil era de péssima qualidade porque sua gestão, provavelmente, não estaria à altura da complexidade dos serviços que as 200 mil escolas públicas e privadas brasileiras devem entregar todos os dias a quase 50 milhões de estudantes.
Entretanto, a constatação de que na educação houve a cristalização do que há de pior nas práticas de gestão de gente e recursos, nos assustou.
A má qualidade da educação não é uma doença nova que depende de pesquisas para ser vencida. Ao contrário. Vários países chegaram lá deixando uma trilha a ser seguida. As boas práticas são as mesmas de qualquer empresa de serviços, afinal, não nos enganemos, a educação é sim um serviço, e o país é o cliente. Vamos a elas e seus oponentes:
1. Adotar padrões de ensino. Nós temos que saber qual o conteúdo esperado para cada série, para comparar uma escola com a outra e permitir a continuidade para quem muda de domicílio. Educadores não gostam de padrões, dizem que limita a liberdade de criação na sala de aula.
2. Avaliar sempre. Já avaliamos nossos alunos de forma sistemática, agora falta avaliarmos os professores. Os educadores também não gostam disso. Se sentem ameaçados. Se concluirmos que eles não sabem o que deveriam ensinar a seus alunos, partimos para o próximo item.
3. Valorizar os profissionais da educação. Hoje nós nivelamos por baixo, deixamos que as pessoas menos capazes se apresentem para dar aula. Não atrelamos remuneração a desempenho e ainda tem a cerejinha da estabilidade indiscriminada. Isto os educadores adoram, os seus sindicatos também, mas é exatamente o contrário do que deveríamos fazer.
4. Levar o binômio responsabilidade/autoridade para o nível da escola. Fomos convencidos de que o mau desempenho do aluno é culpa dele mesmo. Como a escola não pode gerir seus próprios recursos humanos e materiais, fica difícil distribuir autoridade e cobrar responsabilidade de sua equipe.
5. E, por último, o investimento. Realmente faltam recursos materiais adequados na sala de aula. O aluno pobre não tem como comprar cadernos, livrinhos, brinquedos educativos, etc. Mas nem pensar em pedir mais dinheiro para educação antes de reformas estruturais profundas, em especial a da previdência
Fácil de listar. Difícil de digerir. Igualzinho a remédio amargo, tem de ter coragem para tomar.